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A importância das fibras na alimentação de cães e gatos
por Bruno Felizola
em 21 de out. de 2026
Quando analisadas outras tendências na nutrição de cães e gatos, os holofotes voltados ao uso de fibras na alimentação de carnívoros como os nossos pets apresentam certa estranheza. Mas a ciência já se mostra entusiasta no uso de fibras provenientes de cereais, grãos e frutas, buscando efeitos nutracêuticos e nutricionais (DE GODOY et al., 2013).
Contudo, as fibras não se apresentam como um conjunto geral e de propriedades similares; elas são classificadas em tipos, que possuem funções diferentes e variam de proporções no alimento (KAYSER et al., 2024).
Tipos de carboidratos
Os carboidratos podem ser divididos em absorvíveis, como glicose, frutose e galactose, e os carboidratos digeríveis, como sacarose, maltose, amido e, nas fases mais iniciais da vida, a lactose, que são quebrados via enzimas do organismo.
Já os carboidratos chamados indigestíveis possuem essa propriedade de não digestibilidade devido à ausência de enzimas nos animais responsáveis pela quebra, formando assim os grupos fibrosos. Divididos em fermentáveis e não fermentáveis (ADEBOWALE et al., 2019; KAUSHIK et al., 2022; Figura 1).
Figura 1 – Classificação dos carboidratos vegetais.
Fonte: Adaptado de (NRC, 2012), traduzido e gerado com auxílio do Gemini (GoogleAI, 2026).
Diferentes tipos de fibras produzem diferentes tipos de respostas no sistema gastrointestinal, de exemplo; motilidade intestinal auxiliando na evacuação, mais saciedade dos animais e controle de casos de obesidade, assim como, nas funções metabólicas, como redução do colesterol e diminuição da glicemia pós-prandial, isso a variar dos níveis de viscosidade, fermentabilidade e solubilidade (FDA, 2016).
Alimentos e suplementos prebióticos ricos em frutooligossacarídeos (FOS) e mananoligossacarídeos (MOS) contribuem positivamente com o aumento de bactérias benéficas, como as bifidobactérias, usados na prevenção e tratamento de constipação, melhorando a motilidade intestinal. Os MOS modulam bactérias benéficas que contribuem na resistência a patógenos e evitando assim processos infecciosos e inflamatórios no SGI (SWANSON et al., 2002).
Fibras solúveis como fontes de psyllium contribuem com a fermentação no intestino grosso, produzindo ácidos graxos de cadeia curta, que desempenham papéis de nutrição das células intestinais, fortalecendo e proporcionando melhores absorções, assim como modulador do sistema imunológico intestinal.
Fibras e saúde intestinal
Doenças estão sendo moduladas por meio da inclusão de fibras nas dietas animais (YEON; KIM; KIM, 2024). Doenças como inflamação do sistema gastrointestinal provocada por aumento da comunidade microbiana patogênica (SUCHODOLSKI, 2011). Estudos com a diabetes trazem dados que probióticos e nutracêuticos associados a dietas ajudam a modular a disbiose intestinal e melhorar a sensibilidade à insulina (JI; YANG; WU, 2023). Estudos também trazem a associação de problemas alérgicos e disbiose intestinal, sugerindo que prebióticos são intervenções que podem auxiliar com o equilíbrio microbiano e assim provocar respostas imunes que auxiliam na ocorrência de alergias (NOLI etal., 2023).
A obesidade animal hoje se tornou uma condição multifatorial, associada a vidas dos pets extremamente sedentárias e a uma dieta com balanço energético positivo, provocando assim o acúmulo excessivo de gordura e outros problemas metabólicos (VANELLI et al., 2025). Estratégias como o uso de fibras insolúveis para manter o volume ingerido, mas diminuir a densidade calórica, estão associadas com estratégias no controle de peso (KAYSER et al., 2024). De modo que fibras fermentáveis contribuem para a produção de AGCC, assim trabalhando a saciedade química nos animais, contribuindo como mecanismo de mitigação da obesidade (BOSCH et al., 2009).
De modo geral, amplas são as contribuições das fibras no organismo dos nossos pets, ajudando como modulador de saciedade, controle da obesidade, problemas fecais e gastrointestinais, doenças metabólicas e crônicas. O consumo de fibra ainda precisa ser amplamente estudado, mas já é consolidado o seu efeito benéfico no organismo de cães e gatos.
REFERÊNCIAS
ADEBOWALE, T. O.; YAO, K.; OSO, A. O. Major cereal carbohydrates in relation to intestinal health of monogastric animals: a review. Animal Nutrition, v. 5, n. 4, p. 331–339, 2019. DOI: 10.1016/j.aninu.2019.09.001.
BOSCH, G.; VERBRUGGHE, A.; HESTA, M.; HOLST, J. J.; VAN DER POEL, A. F. B.; JANSSENS, G. P. J.; HENDRIKS, W. H. The effects of dietary fibre type on satietyrelated hormones and voluntary food intake in dogs. British Journal of Nutrition, v. 102, n. 2, p. 318–325, 2009. DOI: 10.1017/S0007114508149194.
DE GODOY, M. R. C.; KERR, K. R.; FAHEY JR., G. C. Alternative dietary fiber sources in companion animal nutrition. Nutrients, v. 5, n. 8, p. 3099–3117, 2013. DOI: 10.3390/nu5083099.
JI, Y.; YANG, Y.; WU, Z. Programming of metabolic and autoimmune diseases in canine and feline: linkage to the gut microbiome. Microbial Pathogenesis, v. 185, 106436, 2023. DOI: 10.1016/j.micpath.2023.106436.
KAUSHIK, S. J.; PANSERAT, S.; SCHRAMA, J. W. Carbohydrates. In: HARDY, R. W.; KAUSHIK, S. J. (ed.). Fish nutrition. 4. ed. Cambridge: Academic Press, 2022. p. 555–591.
KAYSER, E.; FINET, S. E.; DE GODOY, M. R. C. The role of carbohydrates in canine and feline nutrition. Animal Frontiers, v. 14, n. 3, p. 28–37, 2024. DOI: 10.1093/af/vfae017.
NOLI, C.; VARINA, A.; BARBIERI, C.; PIROLA, A.; OLIVERO, D. Analysis of intestinal microbiota and metabolic pathways before and after a 2-month-long hydrolyzed fish and rice starch hypoallergenic diet trial in pruritic dogs. Veterinary Sciences, v. 10, n. 7, 478, 2023. DOI: 10.3390/vetsci10070478.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, DC: National Academies Press, 2006.
SWANSON, K. S.; GRIESHOP, C. M.; FLICKINGER, E. A.; BAUER, L. L.; HEALY, H. P.; DAWSON, K. A.; MERCHEN, N. R.; FAHEY JR., G. C. Supplemental fructooligosaccharides and mannanoligosaccharides influence immune function, ileal and total tract nutrient digestibilities, microbial populations and concentrations of protein catabolites in the large bowel of dogs. The Journal of Nutrition, v. 132, n. 5, p. 980–989, 2002. DOI: 10.1093/jn/132.5.980.
SUCHODOLSKI, J. S. Companion animals symposium: microbes and gastrointestinal health of dogs and cats. Journal of Animal Science, v. 89, n. 5, p. 1520–1530, 2011. DOI: 10.2527/jas.2010-3377.
VANELLI, K. et al. Impact of hypocaloric diets on weight loss and body composition in obese dogs: a meta-analysis. Animals, v. 15, n. 2, 210, 2025. DOI: 10.3390/ani15020210.
UNITED STATES FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (FDA). FDA issues request for information and draft guidance on fiber on the Nutrition Facts label. Silver Spring: FDA, 22 Nov. 2016.
YEON, K.-D.; KIM, S.-M.; KIM, J.-H. Association between gut microbiota and metabolic health and obesity status in cats. Animals, v. 14, n. 17, 2524, 2024. DOI: 10.3390/ani14172524.
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Escrito por Rodolfo Batista
Sou Zootecnista formado pela Universidade Federal de Goiás, Mestrado em Nutrição e Produção de Não Ruminantes pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFG. Possuo experiência na área de manejo comercial de aves, peixes, suínos e pesquisa de extensão na nutrição de não ruminantes. Apaixonado por nutrição e manejo animal, agora com foco em produtos para cães e gatos, hoje atuo na parte de Pesquisa e Desenvolvimento dos produtos Nutroplus.
